
Ascom FIMUS./ Texto: Hermano Junior / Fotos: Vinícius Cacho
17 de jul. de 2026
Além da ópera, outras apresentações marcam a programação de encerramento do evento
O XVII Festival Internacional de Música de Campina Grande e o 10⁰ FIMUS Jazz chegam aos seus últimos dias com apresentações de diferentes gêneros musicais em sua programação. A principal delas é a estreia da “Ópera do Cabeça de Cuia”, no sábado (18), a partir das 16h. O espetáculo terá quatro sessões no fim de semana e os ingressos estão disponíveis gratuitamente em www.sympla.com.br/produtor/affins.
A “Ópera do Cabeça de Cuia”, escrita pelo compositor Campinense Eli-Eri Moura, conta a história de Crispim, um pescador que sobrevive em um mundo distópico onde busca matar sua fome às margens de um rio sem peixes. Em um dia, após conseguir capturar um único peixe, é roubado e retorna para casa de mãos vazias. Em meio ao desespero da fome, discute com sua mãe, Maria das Águas, e acaba matando-a. Antes de morrer, ela o amaldiçoa: sua cabeça crescerá como uma cuia, transformando-o em um monstro condenado a vagar pelo rio até encontrar e ser correspondido amorosamente por uma mulher chamada Maria.

Essa é a terceira ópera escrita por Eli-Eri Moura e foi encomendada pelo Projeto SINOS (Sistema Nacional de Orquestras Sociais do Brasil), coordenado pela UFRJ- FUNARTE. Ele explica que “ao receber a encomenda, parti para uma pesquisa sobre o tema da ópera, pois eu teria que escrever não somente a música, mas o libreto também. Quando me deparei com a lenda do Cabeça de Cuia, originária do Piauí, vi nela, de imediato, uma ópera, pois continha toda a carga dramática necessária para esse gênero”. Além dessa lenda, o autor também inseriu na história a personagem Maria Ismália, inspirada na Ismália do poema homônimo de Alphonsus de Guimaraens.
A ópera apresentada em um único ato de aproximadamente uma hora de duração, reúne no palco cantores líricos que vivem diferentes papéis. A obra, que tem regência do maestro Vladimir Silva e a direção cênica de Luiz Kleber Queiroz e Sofia Silva, é a primeira montagem do Estúdio de Criação Operística do FIMUS. O espetáculo, que envolve cerca de trinta pessoas entre técnicos e artistas de diversas regiões do país, foi realizado através de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de fomento à Cultura, edital de 2025, da Secretaria de Estado de Cultura do Governo da Paraíba.

Esta é a primeira vez que uma ópera é montada em Campina Grande, o que representa muito para o autor Eli-Eri Moura, que é natural da cidade. “Sou muitíssimo agradecido ao maestro André Cardoso, da UFRJ, que através do Projeto SINOS me encomendou a ópera, e também muito agradecido ao maestro Vladimir Silva, que tomou à frente para montá-la neste FIMUS. Essa ópera representou um grande desafio composicional para mim, dada toda sua complexidade e carga dramática, e não poderia estar mais feliz em vê-la estreada em minha querida cidade natal”, comentou o autor.
Além da “Ópera do Cabeça de Cuia”, a programação do FIMUS também integra apresentações, concertos e recitais de diferentes gêneros, como música erudita, chorinho e jazz. O XVII Festival Internacional de Música de Campina Grande e o 10º FIMUS Jazz são realizados pela Universidade Federal de Campina Grande, Affins Produções e Nanacuca Produções. Em 2026, os festivais acontecem com o patrocínio do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura. Outras informações estão disponíveis em fimus.art.br e no Instagram: @fimuscg.
Veja mais detalhes da programação:
Sexta-feira (17 de julho)
20h – Teatro Municipal Severino Cabral
Coro e Orquestra do FIMUS
Eric Stark, regente
Sábado (18 de julho)
16h e 20h – Teatro Municipal Severino Cabral
Ópera do Cabeça de Cuia (Eli-Eri Moura)
Luiz Kleber Queiroz, direção cênica
Vladimir Silva, direção geral e regência
Domingo (19 de julho)
10h – Museu de Arte Popular da Paraíba
Roda de Choro
Waguinho e o Regional de Dudutal, Dudu Oliveira
11h e 15h – Teatro Municipal Severino Cabral
Ópera do Cabeça de Cuia (Eli-Eri Moura)
Luiz Kleber Queiroz, direção cênica
Vladimir Silva, direção geral e regência
20h – Teatro Municipal Severino Cabral
Dudu Oliveira, saxofone e flauta
Matheus Duarte, guitarra
Son Melo, contrabaixo
Kamilo Lima, bateria
Beto Cabeça, percussão




